Ele discutia com os urubus que rodeavam sua carcaça mesmo tendo consciência de que isso não pouparia seus olhos.
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
microconto #22
"Essa noite eu estive aqui com ele, amigo dos bichos da fazenda na infância e hoje o gaitista mais influente do mundo: Júlio Blues Boy!"
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quinta-feira, 8 de setembro de 2011
tem gente que não sabe
Lembrei agora que essa semana toda os meios de comunicação vão ficar reforçando a versão americana do 11 de setembro. Os americanos são o povo mais patriota e unido no ideal “nós contra eles” do mundo. Seus líderes inventam novos inimigos constantemente.
Desde que vi em Watchmen o mundo se unindo contra uma ameaça alienígena eu percebi que ter inventado a Al Qaeda foi genial da parte dos EUA. Em Watchmen, do visionário Alan Moore, vemos um herói que planeja unir o mundo e interromper suas guerras fazendo com que os humanos se voltassem para uma ameaça comum a toda a Terra, um extraterrestre. No dia 11 de setembro de 2001, vimos os EUA convencendo a grande maioria de seus cidadãos de que o país estava sob ataque, fazendo com que dois aviões colidissem contra seus dois maiores prédios e implodindo-os em seguida para parecer a todos que o impacto dos aviões e o incêndio foram capazes de derrubar dois prédios de mais de 100 andares estruturados em aço. Aliens são criaturas mais do que conhecidas como maléficas pelos filmes de ficção científica. Os homens-bomba são igualmente conhecidos pelos noticiários. Os afegãos se tornaram os inimigos inumanos dos Estados Unidos, assim como os vietnamitas o foram um dia: pelo preconceito “nós mocinhos, eles vilões” incutido pela mídia americana e pelos discursos de seus líderes. Quando quiserem a Amazônia dirão que somos déspotas querendo monopolizar um patrimônio mundial, assim como inventam toda sorte de desculpas para invadirem países a torto e a direito para roubar suas produções de petróleo.
Engraçado as pessoas não suportarem a ideia de que um governo mataria seus próprios cidadãos para conseguir o que quer. Falta de amparo à miséria faz isso, percebe? Quando a educação precária impede o cidadão de ajudar a si mesmo, quando pessoas morrem nas filas dos hospitais sem atendimento, quando criminalizam o aborto, quando o saneamento básico não existe, quando o trânsito é caótico e assassino, quando as verbas para acabar com a fome vão para o caviar dos deputados, quando a polícia atira antes de perguntar, quando o Estado toma pra si metade de tudo o que você produz e só o que se vê no noticiário é a violência de pessoas que se delinquiram para sobreviver às injustiças sociais o Estado é responsável, direta ou indiretamente, por 90% das mortes.
Os EUA mandam seus jovens para as guerras que criam não para serem vencidas, e sim para durar. O war business é lucrativo demais para acabar de um dia pro outro, e se o acesso à informação havia crescido entre os jovens, e eles já não viam motivos para se alistar e entrar em guerra contra outros seres humanos, dois aviões atravessaram o World Trade Center e as cenas desesperadoras das pessoas se jogando pela janela para fugir das chamas acendeu o espírito de vingança nos americanos mais sugestionáveis, fazendo com que quisessem, de uma maneira ou de outra, se vingar dos ditos “culpados” pelo massacre. O número de alistamentos cresceu em porcentagens notáveis após o ataque, e a guerra contra o terrorismo dura até hoje, pois quem quer que tenha se esquecido de que aquilo um dia aconteceu, é lembrado todos os anos pela mídia sensacionalista de que deve ter medo, que não pode dormir em paz sabendo que um homem-bomba pode descer pela chaminé e explodir a sala de estar levando consigo o Rex.
Bin Laden morreu, mas ninguém além dos agentes americanos viu o corpo, que foi jogado ao mar sem autópsia ou exames que comprovassem que aquele fosse mesmo Osama, The Man. A maioria dos americanos, e boa parte dos cidadãos do mundo, se sentiram “vingados” ao receberem a notícia de sua execução sumária sem julgamento, mesmo que não existissem provas além da palavra da imprensa. Nenhum americano teve o prazer de vê-lo queimar em praça pública, porque aquele sujeito de barba longa que de vez em quando dava depoimentos para a TV escondido em seu buraco era um agente secreto, um ator, por que não? Que deve estar curtindo a aposentadoria, muito bem escondido.
Eu não me recordo bem de números, ou nomes, ou datas. O que eu sei é que uma vez garimpadas as informações, a ideia geral não saiu da minha cabeça: o mundo é um teatro, e mesmo quando você acha que já compreendeu todos os truques de palco, os atores te surpreendem com algo novo para te enganar. Como gosto de reiterar toda vez que exponho algo que vai contra as verdades impostas pela mídia, a máquina de lavar cérebros do Estado, não obrigo ninguém a acreditar no que estou dizendo. Mas, por outro lado, acreditar em pessoas das quais você só conhece as solas dos sapatos que estão te esmagando é burrice. Seja autodidata, busque conhecimento, pesquise, conheça os dois, três, quinze pontos de vista sobre um assunto, mas, por favor, que esses não sejam de quinze canais de TV diferentes, pois dessa forma você acabará vendo apenas um ponto de vista, o que os senhores do mundo querem lhe impor.
Eu até consigo perdoar que se acredite em Deus, mas ter fé na bondade do Estado é uma estupidez que eu não admito a ninguém que seja sua vítima.
Continua nos comentários.
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
o escritor profissional e seu oposto
Escritores profissionais sentam-se à escrivaninha e escrevem volumes enormes para o próximo inverno. Eu não sou um escritor profissional.
Eu demoro meses para escrever um conto. Nunca escrevo para me livrar da obrigação de terminá-lo. Uma vez escrevi um conto sobre um bar mágico, onde eram servidas emoções em vez de álcool (link). Os personagens se acomodaram no balcão em um fevereiro e a conversa deles se estendeu até o dia 10 de maio, dois anos depois. Deixei que ficassem sentados lá, esperando, até que eu pudesse dar a eles um assunto interessante para conversar. Antes disso seria besteira desperdiçar dois personagens únicos. Antes disso seria escrever por escrever, e as palavras não são mais um passatempo para mim. São registros do que eu acho que vale a pena contar, e há muito em mim que não vale a pena.
O que antes me valia muito era a poesia, hoje raramente escrevo em versos, pois simplesmente não estou mais poeta. Quem tenta escrever poesia sem estar poeta fica só no tentar, porque conseguir escrever poesia não é para poucas pessoas, é para poucos momentos. E esses momentos têm de ser aproveitados imediatamente, pois quando você chega em casa e se senta para escrever um poema que pensou na rua a poesia já passou, ficou na sarjeta sob um papel de bala ou enroscada num poste feito rabiola de pipa. Quem mexe em um poema que escreveu anteontem está mexendo no que não devia. Está transmutando o sentimento em estética, inventando o momento como ele não foi, embelezando a rima, talvez, mas maculando a memória, e isso quem faz não são os poetas.
sábado, 27 de agosto de 2011
microconto #21
Ele lia histórias fantásticas para ninar sua menina e ficava insone com suas preocupações mundanas.
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sexta-feira, 26 de agosto de 2011
fato rápido
O mundo só é ruim para quem tem moral.
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segunda-feira, 15 de agosto de 2011
até hoje ninguém entende
O universo olhou para o seu reflexo nas águas eternas e pensou, "ninguém vai entender", pegou seu violão de supercordas e compôs um blues.
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quinta-feira, 28 de julho de 2011
eu a amo como amo a verdade
quando a verdade morreu de solidão
por ter sido esquecida em alguma parte do sul do mundo
algo teve que tomar o seu lugar enquanto força
e foi para substituí-la que ela nasceu.
eu moro com ela sob um teto de madeira
e é terrificante ter de vê-la todos os dias
pois ela é adorável aos olhos de quem não vê nada além
da ponta de seus cabelos.
mas quem se foca nela
e dá a ela todas as suas atenções
queima as retinas com sua beleza cruel
ou fura os próprios olhos por não suportá-la.
eu, por outro lado, tenho cílios grandes de mulher
e o apego de quem a buscou durante toda a vida.
ela é forte e me fere de quando em quando
mas se por um lado ela me corta a face com o que diz
por outro ela cura os hematomas
que a mentira faz quando soca minhas costas.
por ter sido esquecida em alguma parte do sul do mundo
algo teve que tomar o seu lugar enquanto força
e foi para substituí-la que ela nasceu.
eu moro com ela sob um teto de madeira
e é terrificante ter de vê-la todos os dias
pois ela é adorável aos olhos de quem não vê nada além
da ponta de seus cabelos.
mas quem se foca nela
e dá a ela todas as suas atenções
queima as retinas com sua beleza cruel
ou fura os próprios olhos por não suportá-la.
eu, por outro lado, tenho cílios grandes de mulher
e o apego de quem a buscou durante toda a vida.
ela é forte e me fere de quando em quando
mas se por um lado ela me corta a face com o que diz
por outro ela cura os hematomas
que a mentira faz quando soca minhas costas.
terça-feira, 26 de julho de 2011
microconto #20
Apertado no trem por mil pessoas ele se lembrou de que só um roçar da perna dela na sua o fazia sentir melhor à noite.
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